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| O erotismo visto do ponto de vista de uma terceira pessoa (David Tenier 1610-1690) |
Chovia. Ela cogitava a
possibilidade de não ir, mesmo querendo muito. Detestava dirigir a noite, ainda
mais na chuva. Uber não queria chamar, pois já sofrera assédio de um motorista,
certa vez. Pensou em pedir pra ele levá-la, mas se ele sequer concordava que
ela fosse, tanto era o ciúmes, imagina
atender seu pedido. Haviam brigado, ele queria muito que ela ficasse,
ela estava toda arrumada, maquiada. Salto agulha, meia arrastão, saia, blusinha
nova, colares, pulseiras e anéis (figurino mais que clichê, marcado em nosso
imaginário por alguma pin up, mas que sempre funciona)...e planos.
Festas de empresas
geralmente são uma merda. As pessoas com quem você trabalha agem de duas formas
antagônicas: mudam totalmente por estarem longe da zona de conforto. Por
estarem acompanhadas, geralmente pelo marido ou mulher. De repente na empresa
aquele seu colega é todo atirado, cheio de gracinhas, mas na frente da esposa,
vira um anjinho sem graça. Há os que, pelo contrário, na empresa são contidos,
ambiente de trabalho, medo de demissão, fora já não se pode dizer o mesmo. Nos
dois casos, não sabem agir, sempre fazem papel de ridículo. Ela sabia disso,
muito embora, se levasse o esposo, certeza que mudaria de comportamento, por
isso nem o convidou. Seu motivo para ir tinha 1,81, barba por fazer, cabelo
belamente despenteado e atendia pelo nome de Lucas Augusto...o ciúme do
marido não era vão.
Depois de um ano de flerte,
seria aquela a oportunidade de por em prática todo aquele tesão reprimido. A chuva aumentava torrencialmente. Chegou a digitar uma mensagem para que Lucas a
pegasse em casa, mas seria muito arriscado. Só flertavam pessoalmente, pois ela
tinha muito medo de ser descoberta, afinal Lucas também era casado e sabia de
muitas histórias de gente que “rodou” pelo whatsapp. Não teve coragem de
enviar. Frustrada, chorou, borrou a maquiagem. Pensou em se lançar enfurecida
ao marido “filho da puta, aposto que foi praga dele...chuva do caralho”. Depois
desdenhou “melhor eu não ir, ele nem é tudo isso...é sim, droga”. Mais choro,
mais raiva.
Devaneou relembrando e
repassando o plano elaborado, iria dançar longe dele pra fazer “uma média” com
o pessoal e depois chamá-lo na cara larga pra ir num lugar mais tranqüilo com a
inicial “m”, sabia que não ia ter coragem de ser direta, ao mesmo tempo,
pensava “sou casada, ele também, tenho vida sexual quase ativa, aposto que ele
também...se vamos sair, é pra trepar, não podemos perder tempo”. No caminho
mesmo pularia sobre ele, tal como uma loba, chuparia seu pau (certa vez ouvira
ele se queixar com um amigo, que a esposa deixava muito a desejar, sexualmente,
principalmente no oral). “Tá fudido, vou acabar com ele”. Nesses devaneios a
excitação veio, “pra ele dou até meu cuzinho”, estava toda molhada, “quero que
meu marido se queixe de mim, aos amigos, porque quero fazer com outros o que
não faço com ele, filho da puta”. E imaginou o marido na firma, compartilhando
algum vídeo pornô e narrando as habilidades da atriz em questão “nossa, quem
dera a patroa fizesse isso”, admirava o sexo anal em que a atriz fora obrigada
a fazer e ainda sorrir, “lá em casa é só papai e mamãe, e muito de vez em
quando”. Riu a imaginar a cena de frustração do marido diante de seus também
frustados amigos que provavelmente nunca tenham feito as esposas gozarem. Bem,
disso ela não podia se queixar.
Transtorno, excitação, ódio.
Essa miscelânea de sensações a deixou muito estranha. “Sim, vou dar meu cuzinho
pra ele, só pra punir meu marido”. Andava pela casa, bebendo vinho, celular,
televisão. “Quero dar, caralho”. Virou o vinho, em pouco tempo matou uma
garrafa. Já estava alta. Desse jeito faria besteira, certeza. Depois de
praguejar muito e borrar toda a maquiagem, foi pro quarto com ódio do marido
(que roncava aquele mesmo ronco odioso que ela detestava). “Traste do caralho”.
O traste dormia com um
shorts bem largo, deixando a mostra, os testículos. Ela reparou, teve raiva,
nojo...mas não conseguia parar de olhar, foi ficando excitada. O marido não era
de se jogar fora. Embora desgastada a relação, o sexo deles era bom. Ele
conhecia os segredos dela, sabia fazê-la gozar. Há quem diga que era bem mais
bonito que o Lucas. Mas não se tratava de beleza. Se ela fosse casa com Malvino Salvador, George Clooney, com o Raí na década de noventa, não faria menor diferença, pois estava atras de aventuras. Ele se virou dormindo, a largueza do calção sem cuecas,
revelou um pau bem venoso, musculoso. “Não acredito que to excitada com esse
porra”. Sentiu vontade de chorar, pegou o travesseiro, mediu a cabeça dele “vou
matar esse desgraçado”, ele se virou, viu a cabeça do pau, reparou na grossura.
Tocou a bucetinha, tava bem molhada. Enfiou os dedos “vou me masturbar,
não vou dar pra ele”, pensava, bêbada, sem tirar o olho daquele pau grosso e
bonito que pendia dormindo, despretensiosamente. “Gostoso”, deixou escapar. “Porra,
não acredito que minha sina é trepar com esse filho da puta o resto da vida”. Queria dar, mas
não pra esse que roncava e babava de pé sujo em seu lençol limpo. O marido se mexeu, o
pau parecia ter se enrijecido, “será que ele ouviu?”. Enfiou os dedos na
buceta, pensou em Lucas...quando menos percebeu, segurava o pau do marido que
continuava dormindo, ou fingia muito bem. Daqui a pouco, o acordou da maneira
que todos os homens do mundo querem ser acordados, (inclusive esse que vos
escreve): com um boquete bem molhado. Surpreso e felicíssimo (como alguém que é
despertado com um boquete), ele a segurou pelos cabelos e elevou o corpo contra
ela, enquanto a puxava, como se batesse uma bola no chão. Ela babava, ele
gemia, ela engasgava, ele se empolgava...”calma, filho da puta, não é isso que
você quer?” e abriu bem as pernas pra ele que sorveu o líquido de sua buceta, buceta essa que tinha pêlos negros lindos que contratavam com a alvura de sua pele, buceta essa protegida por uma virilha linda, canais por onde escoava a água do banho, ou o esperma quente e espesso. Saboreou aquela maravilha e
depois a comeu de jeito, enquanto ela falava baixinho “vai Lucas”. Ele
parecia uma britadeira comendo-a de quatro. “Vai Lucas”...ele, confuso, pensou
ter ouvido exatamente isso e perguntou, “o quê”, ao que ela respondeu “me
chupa”...com a língua ele extraía todo aquele saboroso ungüento da
bucetinha...”vai Lucas”, certo de ter ouvido isso mesmo, mas extasiado de
tesão, ele ignorou e a fez cavalgar no seu pau, de modo que ela esfregou,
imobilizando-o enquanto ditava o ritmo da fricção, pois sabia exatamente onde
encostar na púbis dele, sabia a intensidade... até gozar e apertar seu pau com
as contrações. “Me come de quatro”, essa era a senha pra trepa terminar, pois
ela sabia e, evidentemente, ele sabia que não durava nada quando ela empinava
aquele rabo. Embora coadjuvante nessa trepa, só o marido sabia do esforço que
tinha que fazer para esperá-la gozar, o que, tecnicamente, faz todo o sentido,
se ele gozasse antes, ela não gozaria. Aí estava a qualidade dele, era nisso que
ele ganhava pontos com ela. Ele lamentou um pouco, pois queria ficar mais tempo
trepando, mas obedeceu. Quando ia penetrar aquela maravilha protegida por carnes
macias, ela disse “aí, não”. Foi o suficiente pra ele ficar transtornado, quase
brochou de tanto deslumbre “caralho, me acordou com um boquete e agora me oferece
o cuzinho sem eu ter pedido”. O rabo dela tinha uma cavidadezinha antes de
chegar no cuzinho, ele não sabia o que fazer, se chupava-o, se beijava...queria
abraçar, acariciar, se aconchegar, levá-lo ao cinema...sabia que se demorasse
muito a currá-la, ela podia mudar de ideia. A surpresa foi tanta que ele, que
naturalmente gozaria em menos de cinco minutos comendo a bucetinha, durou um
tempão no anal, o suficiente para o tesão dela passar e a raiva voltar. “Para, chega,
não quero mais”, sem alternativa, ele deu um migué no banheiro batendo uma
punhetinha enquanto ela praguejava olhando no relógio ao perceber que a chuva
cessara, mas já era seis da manhã. “Filho da puta, comeu meu cú, o cú era do
Lucas, maldito”...choro, raiva...”por que eu não fui?” Combinou consigo mesma: "amanhã dou pra ele no almoxarifado"



